Esperamos que esta seção seja um veículo para relatar e trocar experiências desenvolvidas na
área de Educação de Jovens e Adultos.
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Como se sente um adulto ao voltar a estudar ou ao pisar pela primeira vez em uma sala de aula? Para conhecer a expectativa desses estudantes, Sulamara Moreira acompanhou o primeiro dia de aula dos alunos do Projeto de Ensino Fundamental de Educação de Jovens e Adultos (Proef), oferecido pela Faculdade de Educação da UFMG.
Criado na década de 1980, o projeto é dividido em dois níveis: o Proef-1, voltado para quem vai começar a ser alfabetizado e o Proef-2, destinado aos alunos que pretendem concluir o ensino fundamental. Cada nível dura, em média, dois anos, dependendo do desenvolvimento de cada pessoa. De acordo com a coordenadora do Proef-1, Francisca Maciel, o projeto foi criado para alfabetizar servidores da UFMG, mas, hoje, já atende também aos funcionários terceirizados e a interessados da comunidade em geral.
Fonte: Ceale, 14 abr. 2009.
Fazer com que se entenda a importância dos estudos na vida pessoal e profissional de um adulto nem sempre é tarefa fácil, principalmente quando se trata de moradores de comunidades mais vulneráveis, nas quais as oportunidades de crescimento parecem ser menores. No entanto, mesmo com todas as dificuldades, há quem se esforce para aumentar as chances de desenvolvimento na vida de dezenas de cidadãos.
É o caso da coordenadora de grupo de Brazlândia, cidade-satélite do Distrito Federal, a 45 quilômetros do Plano Piloto. Há dois anos, Márcia Helena Ramos incentiva alfabetizadores e alunos a darem continuidade nas aulas do Projeto abcDF (parceria entre o Governo do Distrito Federal e a Alfabetização Solidária).
Apesar de adolescente não sabia ler ainda. Mas era grande minha vontade de melhorar de vida. Adorava Matemática e nos intervalos do trabalho carregava um livro de cálculo a tiracolo e ficava resolvendo contas. À noite, sempre estudava mais um pouquinho. O povo ria de mim, dizendo que eu era louco de trabalhar o dia todo e ficar em cima de livro à noite.
Com o supletivo, consegui me formar no Ensino Médio aos 19 anos. Sem chances de fazer uma faculdade, continuei na enxada até que um dia recebi uma visita. Era um funcionário da Prefeitura de Curionópolis, cidade maior que fica há uma hora de Serra Pelada. Ele me disse que comentaram com ele que tinha um peão na roça com segundo grau e que estava precisando de alguém com estudo para dar aulas para uma turma de 4ª série de uma escola municipal.
Fiquei apavorado. Eu trabalhava com enxada, no trabalho pesado e de repente virar professor!. Mas achei que era a oportunidade que eu estava esperando. Topei e prometi fazer meu melhor. Assim começou minha carreira nas salas de aula que já dura quase dez anos.
Na edição de novembro de 2003, NOVA ESCOLA trouxe um encarte especial sobre Educação de Jovens e Adultos (EJA). Naquele ano, havia no Brasil 4,2 milhões de adultos nas salas de aula e um quadro de escolarização com números alarmantes. Sessenta e cinco milhões de brasileiros não haviam completado a Educação Básica. Desses, 30 milhões tinham até quatro anos de sala de aula e outros 16 milhões eram analfabetos.
O encarte de NOVA ESCOLA celebrava o crescimento no número de matriculados no EJA. De acordo com o censo escolar daquele ano, o número de freqüentadores da Educação de Jovens e Adultos havia crescido 12% em relação a anos anteriores. O governo federal consolidava programas como o Alfabetização Solidária e o Fazendo Escola.
Confirmando os bons prognósticos, as matrículas na modalidade deram um salto para 5,6 milhões no ano seguinte, mantendo-se nesse patamar até 2007, ano em que caíram para 4,9 milhões. A queda pode ser parcialmente explicada pela mudança na metodologia do censo, que buscou reduzir as duplicações de matrícula.